Predador: Terras Selvagens (2025) — A nova caça da ficção científica

A franquia Predador volta aos cinemas em 2025 com Predador: Terras Selvagens, dirigido por Dan Trachtenberg — o mesmo cineasta responsável por Prey (2022), que revitalizou a saga ao trazer uma protagonista indígena e uma ambientação no século XVIII. Agora, Trachtenberg mira mais alto e mais longe: o novo capítulo se passa em um planeta alienígena, com uma narrativa que mistura ação, drama e reflexão sobre identidade e poder.

Uma nova selva — e um novo tipo de caçador

Desta vez, o foco não está nos humanos. O protagonista é Dek, um jovem Yautja — a espécie alienígena conhecida por caçar outras formas de vida como forma de ritual e honra. Expulso de seu clã por ser considerado fraco, Dek embarca em uma jornada de redenção ao lado de Thia, uma sintética criada pela corporação Weyland-Yutani, interpretada por Elle Fanning.
Juntos, eles enfrentam um inimigo ainda mais letal e colocam em xeque as noções de força, honra e sobrevivência que definem a cultura dos caçadores.

A ambientação em um mundo alienígena, repleto de fauna exótica, paisagens desérticas e ruínas tecnológicas, dá ao filme uma estética grandiosa e totalmente nova para a franquia. As cenas de ação são intensas, com sequências que equilibram brutalidade e estratégia, sem abrir mão da atmosfera de tensão que caracteriza o universo de Predador.

Entre tradição e reinvenção

Desde o clássico de 1987, estrelado por Arnold Schwarzenegger, a série Predador sempre explorou a relação entre caça, poder e sobrevivência. O que muda agora é a perspectiva. Se antes o monstro era a ameaça, aqui ele é o herói em busca de redenção. Essa inversão de papéis é arriscada, mas também necessária para manter a franquia relevante quase quatro décadas depois de sua estreia.

Trachtenberg demonstra coragem ao abandonar o formato tradicional de “humanos vs. predador” e mergulhar nas origens e conflitos internos da própria espécie alienígena. É uma aposta ousada que aproxima o filme mais da ficção científica conceitual do que do terror de ação.

Força visual e dilemas morais

Visualmente, Terras Selvagens é um espetáculo. A fotografia aposta em tons terrosos e contrastes intensos, dando uma sensação de calor e hostilidade que reforça o ambiente de guerra e sobrevivência. O design de criaturas é um dos pontos altos — os novos predadores e monstros que habitam o planeta são visualmente impressionantes e ajudam a criar um universo vasto, cheio de possibilidades.

No entanto, o maior mérito do filme está no subtexto: Predador: Terras Selvagens fala sobre exclusão, identidade e pertencimento. Dek é um “fracassado” dentro de uma sociedade que valoriza a força acima de tudo — uma metáfora clara sobre masculinidade e honra. Sua aliança com Thia, uma criatura artificial e racional, contrapõe instinto e empatia, natureza e tecnologia, sugerindo que o verdadeiro inimigo talvez não esteja fora, mas dentro de cada um.

Imagem: IMDB

Riscos e recompensas

Nem tudo é perfeito. A mudança de foco pode afastar fãs mais tradicionais, que esperavam algo mais próximo dos combates intensos e do suspense militar dos filmes originais. O tom mais filosófico e a ausência de figuras humanas em destaque tornam o longa menos visceral, embora mais ambicioso.

Há também críticas à classificação indicativa mais branda, que reduz o nível de violência gráfica — um elemento quase simbólico da franquia. Ainda assim, o roteiro compensa com uma trama mais elaborada e um ritmo que mantém a tensão até o final.

Imagem: IMDB

Conclusão: a caça continua

Predador: Terras Selvagens não é apenas mais um filme da franquia — é uma tentativa de reinvenção. Ao colocar o caçador no papel de herói e expandir o universo para além da Terra, Dan Trachtenberg dá novo fôlego a uma série que poderia facilmente ter se esgotado.

O resultado é uma obra visualmente poderosa, com boas atuações e coragem narrativa. Talvez não seja o Predador que muitos esperavam, mas certamente é o que a franquia precisava: um novo olhar sobre o que significa caçar, ser caçado — e, acima de tudo, sobreviver.

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